Espera pela mensagem
que nunca chega, não
chegará. Dizer que não
disse e que não dirá.
Silencio absoluto.
(Constante entrada
no vazio que nem a vista
alcança. Separação absurda
de letras.)
A repetição do presente:
O movimento reticente de
achar e tornar a perder
repetidamente; como um
sentimento que houvera e
que não há; como um olhar
que haveria e não houve.
Re-tornar a procura.
Re-fazer-se em tortura.
De par em par abrem-lhe as
janelas por onde não olhas.
Ficam correspondências
que nunca chegam, uma caixa
sempre vazia, um canto de casa
em que se guarda os restos.
Um amontoado de tempo,
nem um pedaço de papel,
muitos bilhetes, noites a fio.
(Egoísmo e solidão,
sonho e preguiça,
Que é isso que grita
em mim?)
Carapaça de medo que me fez
querer estender o tempo pra
além dele, me proteger; só fez
errar, deixar passar, prolongar
o caminho que se faz sozinho
por dentro de si mesmo.

Nenhum comentário:
Postar um comentário