domingo, 3 de janeiro de 2010

solitário

Espera pela mensagem

que nunca chega, não

chegará. Dizer que não

disse e que não dirá.

Silencio absoluto.


(Constante entrada

no vazio que nem a vista

alcança. Separação absurda

de letras.)


A repetição do presente:

O movimento reticente de

achar e tornar a perder

repetidamente; como um

sentimento que houvera e

que não há; como um olhar

que haveria e não houve.

Re-tornar a procura.

Re-fazer-se em tortura.


De par em par abrem-lhe as

janelas por onde não olhas.

Ficam correspondências

que nunca chegam, uma caixa

sempre vazia, um canto de casa

em que se guarda os restos.

Um amontoado de tempo,

nem um pedaço de papel,

muitos bilhetes, noites a fio.


(Egoísmo e solidão,

sonho e preguiça,

Que é isso que grita

em mim?)


Carapaça de medo que me fez

querer estender o tempo pra

além dele, me proteger; só fez

errar, deixar passar, prolongar

o caminho que se faz sozinho

por dentro de si mesmo.

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