Não há contradição na
poesia e por isso pode
o poeta separar mal os
argumentos, pois nem
eles são necessários.
O poema é desperdício.
Unta-se uma forma rasa
onde coloca o formato;
derrama-se o que pensa,
o que sente, o que acha
que sabe; escreve-se no
vazio branco, decifrando.
A música ajuda com ritmo
pois não é ritmo o poema.
A palavra tem tempo mas
a idéia não, a idéia morre
de fome, a palavra alimenta.
A palavra rege. A idéia toca.
O que incita ao verso não
é o papel branco, João. É
o tédio, a noite morta,
o silêncio e câmara vazia –
quarto de dormir. Quem faz
o verso é o vazio da alcova,
não eu, nem você, nem ele.

" O poema é traça no anoitecer da página"... trecho de Robson 7 pra tu, garoto...
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