segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

poemapoema II

Não há contradição na

poesia e por isso pode

o poeta separar mal os

argumentos, pois nem

eles são necessários.

O poema é desperdício.


Unta-se uma forma rasa

onde coloca o formato;

derrama-se o que pensa,

o que sente, o que acha

que sabe; escreve-se no

vazio branco, decifrando.


A música ajuda com ritmo

pois não é ritmo o poema.

A palavra tem tempo mas

a idéia não, a idéia morre

de fome, a palavra alimenta.

A palavra rege. A idéia toca.


O que incita ao verso não

é o papel branco, João. É

o tédio, a noite morta,

o silêncio e câmara vazia –

quarto de dormir. Quem faz

o verso é o vazio da alcova,

não eu, nem você, nem ele.

Um comentário:

  1. " O poema é traça no anoitecer da página"... trecho de Robson 7 pra tu, garoto...

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