terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Aos camaradas

Uma saudade incurável

dum inverno no passado.

Dos cheiros que tinham,

das cores que haviam

nas coisas.

Da textura do ar que

roçava nossas peles,

da resistência ultra fina

que nossos pelos ofereciam

ao tato,

ao vento,

ao frio,

ao choro que sentíamos

e não chorávamos.


Saudade abissal dum sorriso

de um camarada, doutro lado

da roda, que confiante

tomava o café

e mirava o futuro.

Saudade da fragilidade corajosa

De nossos dedos em riste.

Saudade

de na sala de casa

cair cansado

certo de levantar

ainda cansado

para lutar.


Saudade do maior inverno

de nossas vidas;

de tantos outros que

sangraremos

a desbravar primaveras.

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