Uma saudade incurável
dum inverno no passado.
Dos cheiros que tinham,
das cores que haviam
nas coisas.
Da textura do ar que
roçava nossas peles,
da resistência ultra fina
que nossos pelos ofereciam
ao tato,
ao vento,
ao frio,
ao choro que sentíamos
e não chorávamos.
Saudade abissal dum sorriso
de um camarada, doutro lado
da roda, que confiante
tomava o café
e mirava o futuro.
Saudade da fragilidade corajosa
De nossos dedos em riste.
Saudade
de na sala de casa
cair cansado
certo de levantar
ainda cansado
para lutar.
Saudade do maior inverno
de nossas vidas;
de tantos outros que
sangraremos
a desbravar primaveras.

saudades persistentes
ResponderExcluirsaudades existentes
casei com a saudades já.