sábado, 13 de junho de 2015

silêncio do mundo

no sul do mundo
(e também ao norte)
está frio
o clima é pesado
apesar das lutas quentes
o gélido bafo da crise
avizinha-se
infecta
escorrem lágrimas frias
de olhos vermelhos
no sul do mundo
um silêncio
de noite de pesadelo

quarta-feira, 20 de maio de 2015

continua indo

o rio de janeiro são milhares
de poetas desconhecidos
vagando sozinhos por lugares
são moleques empilhados
e milhares de gavetas vazias
nos cemitérios aguardando
por moleques e poetas solitários
são centenas de otários
malandros práticos com fardas
fuziz e granadas
ajustando as gravatas de magnatas
o rio de janeiro são milhares
de favelas muito além das novelas
são as lutas do povo negro
engenhos de guerra, quilombos
são novecentos mil manos
contra um exercito extra-terrestre

arte irrelevante

não há relevância nenhuma
na arte que eu traço
não relevo críticas nem faço
gracejos com frases
a arte que eu caço é pretexto
geografia sensível
minha rima é o desprezo
é dispêndio de tempo
não tem valor de troca ou uso
é templo do desapego
tem poesia ruim, tela rasgada,
enquadre fora do prumo,
eixos de vesgos, cortes bruscos
conjugações erradas
vírgulas pontos entre parênteses
meus planos são obtusos
minha arte vai durar pra sempre

sexta-feira, 17 de abril de 2015

sal nas veias

a vida pulsa
sempre
este envolvimento
emocional inevitável
um caldo quente
onde estamos imersos
muito acima do pescoço
bem mais fundo que o poço

segunda-feira, 13 de abril de 2015

segunda treze

as minhas veias
estão abertas junto
as de todo o continente
os poetas trabalham calados
apagou-se algo
há um silêncio momentâneo
é o dia seguinte ao arroto
da ressaca de domingo
há idiotas nas praças
segunda feira
um desespero ronda
há calma antes da tempestade
terça, as feiras vazias
quiçá quarta feira rompa

quarta-feira, 8 de abril de 2015

maia

uma cã de sal
parceira imortal
me acompanhará
desde o litoral
até o mar levar

pedras

um amuleto verdadeiro
me defende
do medo de mim mesmo