sábado, 7 de fevereiro de 2015

conta gotas

o que pra gente
é tanto, no prato,
na lagoa é pouco,
centavos.

mas de pouco em
pouco, assim como
frango enche o papo,
 esvazia o lago.

cada gota, segundo
de torneira aberta
vaza pelo cano
o raloduto tucano.

nosso esforço diário,
o trem, a rua, o aço,
o braço humano,
esvae, escorre,
evapora.

a chuva não cai
em lugar qualquer
território sitiado
ela só cai quando
água e força há.

o povo não sai
quando quer,
só quando juntar
forças pra destruir
o que lhe subtrai.

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