camará della
santa,
hoje escrevo
e penso
justo em você
porque
me preocupo
contudo
com os amigos
desimporta
o tamanho que
eles têm.
a vida dá volta,
envolve,
despreza tudo,
devolve
sofrimentos e
escudos,
regorgitando
o mundo
enquanto nos
prepara
em batalhas ou
cabanas.
o tempo retira
minutos,
coisas da gente,
adiciona
entorpecentes,
vazios e
uma luz ardente
que nos
queima mesmo
no frio ,
pele de serpente,
desvios.
quando olho-me
vagando
reteso o curso e
espelho
o obtuso ensejo:
persistir!
isso me parece
tão digno
quanto desistir.
resignado
vejo o percurso
como devir.
o universo as
vezes se
inverte noutro
inverso,
possibilitando
a gente
de sentir todo
o verso,
obrigando-nos
converter
verbo em sentir,
chão em teto.
sofrer sentindo é
melhor que
querer fingindo,
morrer só é
pior que crescer
tinindo pra
envelhecer indo
pro infinito,
sentindo na pele
o peso deste
mundo esquisito,
chão agreste.
saber que o lodo
começa
não quando acaba
a desgraça,
mas quando reluz
a carcaça e
o couro cheio de
graxa reflete,
nossa cara ilustra
a manchete,
milhões nas ruas
sem confetes.
não há o que dizer,
ficar ou ir,
vencer ou perder,
nessa vida,
talvez, tudo esteja
no ventre,
num centro escuro,
alpendres
que temos entre os
pulmões e
as costelas tão finas,
corações.
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