carregavam uma
velha morta
entoando canto,
levaram-na
e louvaram nua,
a santa suja
era prostituta,
deu a bunda
e boceta a puta,
e mijaram
no corpo dela,
cantavam
que era rainha,
não santa,
sim uma deusa,
morfética,
musa profética
do pau oco,
ninfa'poteótica
das massas
tão miseráveis,
de orações
incontroláveis,
crescera na
grande cidade,
de lavadeira
ou cozinheira
preferiu dar
o cú em boate,
vivendo aos
trancos amou,
envelheceu,
sorriu, chorou,
teve filhos,
algum morreu,
fez amigos,
o avô socorreu,
confiou na
vida, se fodeu,
contou dias
presa a calçada
sem ganhar
sequer moedas,
teve lucros
comemoráveis,
uma surra,
várias pedras,
propinas,
pavores, mazela,
e na hora
da morte acendia
uma vela,
fez promessas e
cumpriu
tantas que acabou
voltando
pra ela os favores
que cedeu,
cada um da forma
certa, que
agora velha-morta
os homens
a proclamam deusa
eclética, e
avisam que a data
é feriado,
profano ou sagrado,
da mulher,
seu sexo e calvário.
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