terça-feira, 10 de agosto de 2010

cartadenãoentregar

fiz uma carta
pra não entregar.

Palavras sem norte;
Escrevi toda no sul,
em mim.

Sul do coração que
anda gelado; sul do
meu corpo calado,
quase como povo
assolado, que dorme
na lama e sorri.

Um poema curto,
uma carta falha,
um baralho mudo,
uma navalha cega,
um avião em queda,
uma alma à morte.
Carta feita inteira
toda pra ninguém.

2 comentários:

  1. Quanto do que nós fazemos
    É carta que não valha
    O tempo da leitura...
    A tinta da escrita,
    A celulose adquirida.

    No entanto se é carta.
    Tem remetente,
    E tem mais ainda, um destino...
    Um foco certeiro.
    que em tantas vezes, vira mira tão difícil de pegar.


    Moa

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  2. Alguém pode ter esperado esta carta por dezenas de anos...

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