domingo, 27 de dezembro de 2009

poesia desatinada

Quero vagar nas ruas entre os prédios
Sem me importar com as janelas que vigiam
Sem nem ligar pras máquinas que proliferam
Nos cercam, invadem, convivem.

Quero cercar-me de humanos despreocupados
Mesas na calçada onde todos bebem
Em paz.

Quero dançar como se nada fosse,
como se o gesto fosse interno,
o gozo do lábio aberto.
Como se não nos espiassem
os olhos do outro que dança.

Como se a objetiva dos homens
cristalina,
Fosse só coisa:
Foco
Ajuste
E não este cercado de idéias
interpretações,
leituras ágeis da vida que se desnuda
e que não pede compreensão.

Somos
quem somos,
os homens?
A conta rápida dos olhares
que nos tornam ser,
que sem o outro
nada seriam. Imóveis,
a mostrar-se a quem?

Andar por ai virando as esquinas
aleatoriamente, errando o caminho
pra chegar sabe-se onde,
pra fazer não sei o que
ou com quem.
Chegar ao limite de ser
sozinho entre os outros,
de fazer-se ouvir em silêncio,
como quem vaga roto
em busca de moeda e pão.

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