Quero vagar nas ruas entre os prédios
Sem me importar com as janelas que vigiam
Sem nem ligar pras máquinas que proliferam
Nos cercam, invadem, convivem.
Quero cercar-me de humanos despreocupados
Mesas na calçada onde todos bebem
Em paz.
Quero dançar como se nada fosse,
como se o gesto fosse interno,
o gozo do lábio aberto.
Como se não nos espiassem
os olhos do outro que dança.
Como se a objetiva dos homens
cristalina,
Fosse só coisa:
Foco
Ajuste
E não este cercado de idéias
interpretações,
leituras ágeis da vida que se desnuda
e que não pede compreensão.
Somos
quem somos,
os homens?
A conta rápida dos olhares
que nos tornam ser,
que sem o outro
nada seriam. Imóveis,
a mostrar-se a quem?
Andar por ai virando as esquinas
aleatoriamente, errando o caminho
pra chegar sabe-se onde,
pra fazer não sei o que
ou com quem.
Chegar ao limite de ser
sozinho entre os outros,
de fazer-se ouvir em silêncio,
como quem vaga roto
em busca de moeda e pão.
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