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no tempo da arte
um espelho
o próprio trabalho
poesia então será
algo que fique
o mundo que mude
restará a noite
prantos na chuva
pingando baixo
o silencio escorre.
a poesia vencerá
gota por gota
cada palavra terá
o chão repleto
rimará por metro
tesará o teto
pau e lona preta.
a poesia ocupará
terrenos lutará
por nada a menos
que sonhemos
obstruirá o féretro
que vos corteja
com carro aberto.
junto frases
que nos tornarão
capazes
de revisitar
lugares, bares,
sensações fugazes
que antes
nos permitiam
ver cores e coisas
onde só
haviam quases
o maracanã
será azul
e a alemanha
vai tomar
dezoito gols
defronte à serra
vejo melhor o
comportamento
do tempo.
porque o clima
não é só
temperatura
e vento.
é onda que sobe
a nuvem
de acordo com
o oceano.
vento que sopra
frio e vento
que sopra forte
e quente.
defronte à serra
vejo a névoa
encobrir a vista
e condenso.
a ponta da serra
fica de fora
e a nuvem fica
nela, entre.
trovoa na terra
tudo ressoa
treme a nuvem
chovo dentro.
a chuva só é ruim
pra quem
está debaixo dela
é junho!
somos
sonhos,
planos,
punhos,
metade
do turno.