quinta-feira, 29 de novembro de 2012

incontestável

um teste:
a rima
inconteste.

em júpiter

silêncio profundo
hoje a lua é
o assunto do mundo

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

g r a v i d a d e

peso é coisa
determinada
sentimento é
algo parecido
com  o  nada.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

morrente

ouviram na janela:
'morreu a poesia
concreta'.
responderam ao
esteta: 'morta ela
vivo o poeta'.

mareando

o que acha
que escrevo.
em que faixa
eu te espero.
maré baixa
e desespero.

reversado

o verso,
reserva
inverso.

reserva,
versa e
reversa.

inverte,
prosa e
resolve.

ondeando

a estrada, está
no feminino
e caminho, no
masculino.

novos poemas velhos

  reviver velhos
           poemas
ser novo poeta

empapelados

em par pelados
coloco no envelope
postais guardados.

duas moças

entre
vistas
foram
todas
re
visadas

gruda

vixe,
pisei
no
pixe.

insatisfeito astro

a lua tá cheia
de que?
brilha no céu,
olham
acima pra ver.
ah lua
metida, agarra
nuvem
vai se esconder.

egóico

não nego ser
       poeta é
puro ego.

lab.rinti.tico

poema é
um labirinto:
minto
inspirado em
Borges:
a charada
é o caminho
do mito.

novo ato

todos os velhos fatos
insolúveis em verbo,
dissolvem-se em atos.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

politicólogos

reunidos egos
cada qual com
argumento que
o transcende:
discutem,
debatem,
consentem.

terrificado

cavo a cova
e me enterro

sábado, 24 de novembro de 2012

tempojá

vontades loucas
a vida curta
as horas poucas

enrosco

quando sua perna
enrosca a minha
tudo s'encaminha.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

elementar

sob aguá cristalina
insolúvel carolina,
submersa menina.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

efeito colateral

não se escolhe
impune-mente
a poesia.

ela impregna,
re-colhe o que havia
de sã-na-mente.

desvia rota guia,
confunde
noite com dia.

plano cartesiano
vira um
sonho fantasia.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

sentindo

totalmente perdido
buscando
o poema escondido

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

portrait

me contrate,
eu retrato
o insensato.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

sobre-viveremos

ficamos velhos
e feios, mas
o que acontece
com o humor?

tanto faz

a vida muda
de repente
muda a vida

mudalma

minh'alma calada
não consigo
manter calma.

nunca pára

durante a noite
pêlos crescem,
liquidos descem,
juntas enrijecem,
homens envelhecem.

sangriarte

arte tem nadaver com fuzil. 
só se o fuzil for ela mesma.
arte pacificadora é natimorta,
é o feto do artista torturado.

sábado, 10 de novembro de 2012

d'esquina

ruas gastas,
duas mulheres.

duas cartas
nuas pedestres.

suas cascas
gastas despem.

meu adeus

meu adeus
vai por e-mail 
porque eu não 
valho nem um
reembolso postal.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

termo história


essa é a história
dos que a escrevem.

qual é a história
d'outros iletrados?

terão história os
analfabetos, e os
outros tipos todos
de humilhados?

seria a palavra
história mesmo
o termo certo?

qual é o termo
da história certa,
ou acerto histórico
desta pergunta?

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

arrimo

s'eu pudesse
viver de poesia,
eu nada faria,
nem rimar rimaria.

tríptico

toda interpretação é inviesada,
capítulos enormes feitos de nada,
assuntam tudo cheias de enleio,
chave pra uma porta só, sem veio.

poemas feitos desmetrificados,
juntando palavras c'outros significados.
olhos atento à  leitura estreita
das páginas brancas onde trança a teia.

uma rima sem ritmo ou rumo,
erres rimam com esses ou vice versa.
escritas, renovam o silêncio,
faladas re-verberam a conversa.